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Finanças: COMO GARIMPAR OPORTUNIDADES - GUSTAVO CERBASI

Que atire a primeira pedra quem nunca se frustrou ao buscar uma dica de investimentos aparentemente quente, e tempos depois perceber que fez uma péssima escolha. Será que especialistas e a imprensa especializada tentam ludibriar os menos experientes? Ou será que bons investimentos simplesmente deixam de ser bons quando pessoas comuns passam a optar por eles?
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Aposte nessa segunda reflexão. Um bom investimento hoje provavelmente deixará de ser bom em um prazo não muito longo. Isso não é profecia, mas sim pura lógica econômica. Os melhores investimentos provavelmente serão as maiores causas de frustrações para desavisados, simplesmente porque oportunidades têm prazo de validade.
Ganho fácil é aquilo que chamamos de oportunidade, pois é improvável que, sendo fácil, dure muito tempo. Afinal, quanto maior a facilidade de ganhos que uma oportunidade traz, mais evidente ela é para empreendedores e investidores, e mais rapidamente atrairá interessados em aproveitá-la.
Quando muitas pessoas disputam uma oportunidade, ela se torna escassa e encarece, deixando de ser uma oportunidade. Em outras palavras, mostre-me um caminho fácil para ganhar dinheiro, que eu consigo torná-lo difícil. Essa é uma reflexão essencial para quem lida com escolhas de investimentos e negócios.
Se muitos investidores disputam imóveis em uma região que se valoriza, a própria disputa gera escassez, que faz os preços dos imóveis subirem. Isso chama a atenção do mercado, atrai ainda mais investidores, criando preços desequilibrados, que em um segundo momento passam a despertar maior racionalidade e gerar desconfiança de que o desequilíbrio existe. Nesse momento, a oportunidade se esgotou. Se os preços subiram demasiadamente, pode acontecer uma queda abrupta de preços, causando o que se chama de estouro da bolha. Se a alta não for considerada muito absurda, os preços simplesmente estacionam em um certo patamar ou entram em um processo de declínio gradual por falta de interessados.
Esse fenômeno acontece com todo investimento que se torna uma moda. Pode ser no mercado de imóveis, de ações ou de qualquer outro ativo. Segundo a lei da oferta e da demanda, tudo que está na moda tende à saturação.
Por isso, uma das principais regras de sucesso de quem investe ou pretende investir é se envolver cada vez mais com o mercado em que negocia seus ativos. É importante acompanhar diferentes fontes de análise, frequentar eventos e cursos, trocar experiências com outros investidores e inovar na forma de estudar o desempenho da carteira de ativos. Quanto mais envolvido estiver o investidor, mais apto estará a identificar oportunidades – as novas, e não as velhas que já estão perdendo força.
Isso não significa que não há saída para aqueles que têm pouca experiência com investimentos. A velha recomendação estratégica continua válida: quanto menor seu envolvimento com investimentos, tenha uma carteira mais conservadora. Porém, com juros na casa de 8% ao ano e ganhos reais pouco acima de 2%, nem o mais conservador dos investidores deve se dar ao luxo de ter apenas recursos em renda fixa.
Os mais conservadores deveriam ter uma parcela pequena dos investimentos em mercados renda variável, seja em ações, commodities ou pequenos imóveis, para poder sentir o oportuno desconforto do sobe e desce dos preços. Por que oportuno? Porque as quedas de preços nos incomodam. O incômodo deveria levar o investidor a buscar mais informações sobre a perda que afeta parte de sua carteira, e essas informações o conduziriam a oportunidades ainda em seu estágio inicial. Daí viria o verdadeiro processo de enriquecimento, quando uma oportunidade de ganho fácil se mostra evidente e o investidor saca boa parte de sua renda fixa para comprá-la ainda barata.
Em tempos de juros baixos, oportunidades estão raras. Se você tem algo gerando resultados muito bons, tem em mãos um forte sinal de alerta. Pode estar chegando a hora de se desfazer desse ótimo ativo e buscar a próxima oportunidade.
Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos(Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Os Segredos dos Casais Inteligentes (Ed. Sextante).

LEIS DA RIQUEZA — LIÇÕES FUNDAMENTAIS GANHAR (B)


Como desenvolver estruturas financeiras sólidas e duráveis

Para desenvolver estruturas financeiras sólidas e estáveis, em primeiro lugar, você precisa desenvolver um novo modo de pensar, baseado no paradigma da abundância universal.
O Universo é um lugar potencialmente abundante e Deus quer o melhor para os seus filhos: evolução e abundância. Mas, infelizmente, a maioria das pessoas recebe como herança familiar o pensamento de escassez. Assim, seguem a vida pensando que, no mundo, não há o bastante para todos. E, como se trata da maioria, a sociedade torna-se cada vez mais competitiva, com pessoas defendendo com unhas e dentes seus bens materiais e estabelecendo prioridades equivocadas, nas quais o menos importante passa a ter mais importância.

Aprenda a priorizar
Imagine que você precisa colocar cinco pedras grandes em um recipiente cheio de pedregulhos. Essas cinco pedras grandes representam as cinco áreas mais importantes da sua vida: saúde (S), finanças (F), relacionamentos (R), espitirualidade (E) e vida profissional (P).
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Se tentar acomodar as pedras sobre os pedregulhos, não conseguirá fechar o recipiente; mas se você pegar um recipiente vazio (novo paradigma) e colocar as pedras grandes primeiro, terá espaço de sobra para colocar os pedregulhos e conseguirá fechar o recipiente sem problemas. E ainda conseguirá colocar uma boa porção de água entre as pedras e os pedregulhos, e fechar o recipiente!
Na Matemática, a ordem dos fatores não altera o produto; mas, na vida, altera. Se você executar primeiro as atividades prioritárias, terá tempo para as pequenas coisas. O contrário, porém, não é verdadeiro.Tente arrumar o porta-malas de um carro começando por acomodar a bagagem de mão no seu interior e, provavelmente, terá de levar a mala de roupas no assento traseiro.
É fundamental estabelecer as prioridades certas e executá-las na ordem de importância.
Pense diferente
Mude o seu modo de pensar e você mudará as suas prioridades. Isso modificará a sua forma de lidar com o dinheiro e, principalmente, a sua forma de investi-lo, para que ele passe a trabalhar para você, e não o contrário.

Ter e usufruir de bens materiais não é pecado. Pecado é apegar-se à matéria. Caixão não tem gaveta e mortalha não tem bolso. Quando formos embora deste planeta, tudo o mais ficará aqui, menos a nossa evolução de consciência.

Características do pensamento
Os pensamentos têm a capacidade de expandir crenças que, em geral, se autoperpetuam, aumentando a sua área de influência. Mas os pensamentos também têm a característica de perenicidade: eles permanecem em nossa mente por indeterminado tempo, caso não sejam repensados ou alterados. E eles também têm poder criativo. Tudo no universo físico foi, um dia, um pensamento seu, de outra pessoa ou do Divino Criador. Mude seus pensamentos em relação ao dinheiro e a sua vida financeira mudará também.


Dr. Lair Ribeiro, Palestrante internacional, ex-diretor da Merck Sharp & Dohme e da Ciba-Geigy Corporation, nos Estados Unidos, e autor de vários livros que se tornaram best-sellers no Brasil e em países da América Latina e da Europa. Médico cardiologista, viveu 17 anos nos Estados Unidos, onde realizou treinamentos e pesquisas na Harvard Unversity, Baylor College of Medicine e Thomas Jefferson University.

Via, comprecerto.com.br

Gustavo Cerbasi: 5 Passos para você conquistar sua independência financeira


1) Dedique tempo à construção de seu plano no papel ou em uma planilha eletrônica.
Principalmente para quem não lida com números no dia-a-dia, visualizar o plano ajuda tanto na motivação para executá-lo quanto na identificação de pontos falhos e “gordurinhas” – aquelas despesas mensais de pequeno valor e aparentemente irrelevantes, mas que são as grandes vilãs do orçamento quando somadas ao longo do mês.
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2) Relacione todas as suas fontes de recursos financeiros e todos os seus gastos mensais.
Seja detalhista, pelo menos uma vez na vida, ao longo de um mês. Coloque no papel todos os gastos, sem esquecer as migalhas que são drenadas de seu bolso na forma de gorjetas, arredondamentos na conta da padaria, cafés no meio do dia e aquelas “coisinhas a mais” que acabamos levando na banca de jornal quando compramos a Nova. Não será pelo valor da prestação de seu carro ou de suas últimas compras no shopping que seu orçamento apresentará problemas, porque provavelmente você verificou se havia espaço na sua renda para adquiri-los. Geralmente os orçamentos estouram porque aqueles pequenos valores que são desprezados ao longo do mês acabam se tornando algumas dezenas ou centenas de reais no balanço final – provavelmente um valor que faria toda diferença no futuro se fosse poupado mês a mês.]
3) Identifique suas possibilidades de redução de gastos e estabeleça limites para os gastos não programados.
O segredo de um bom planejamento financeiro é impor limites a certos gastos e ter disciplina para seguir estes limites. Se você levar a sério o item anterior, certamente irá se impressionar. Alguns gastos não são controláveis, como aluguel, impostos, escola e plano de saúde. Outros podem ser otimizados, como o gasto com alimentação e produtos de cuidado pessoal, substituindo marcas muito caras por equivalentes mais em conta e levando a sério a prática de fazer pesquisas de preços. Há também aqueles gastos que podem ser perfeitamente planejados, como a renovação do guarda-roupa, o happy hour com os amigos e o lazer de finais de semana. Com estes, estabeleça limites mensais para seus gastos, e seja fiel a estes limites. Por exemplo, estabeleça uma meta de, digamos, R$ 200 mensais para renovação do guarda-roupa. Se não gastar tudo este mês, terá a mais para o mês seguinte – mas não caia na bobagem de gastar a mais por antecedência.
4) Após otimizar seus gastos mensais, identifique de forma precisa o preço de sua sobrevivência, quanto você gasta mensalmente com segurança.
Seu padrão de vida deve ter um custo inferior a sua renda. Sugiro que você gaste para se manter, no máximo, 90% da renda líquida. No total destes gastos devem estar incluídas todas as contas essenciais, incluindo seu lazer, a renovação do guarda-roupa, as prestações do carro, seguros, gastos pequenos do dia-a-dia, etc. O importante é estabelecer um teto para seus gastos totais, seja rigorosa.
5) Calcule quanto sobra de sua remuneração para possíveis investimentos mensais.
Definindo com precisão os limites de seu orçamento, destine parte ou o total do excedente a um investimento que você faça regularmente. Se você optar por um plano de previdência privada, isto estará sendo feito com tranqüilidade. Se seu orçamento for disciplinado e você estiver satisfeita com a renda que seu plano financeiro estará garantindo no futuro, não haverá nenhum problema em fazer alguns luxos quando surgir alguma sobra – como o décimo-terceiro salário, a restituição do Imposto de Renda ou um bônus salarial. O melhor de um bom planejamento financeiro é a oportunidade que ele dá de gastarmos as sobras sem peso na consciência.
Via, Gustavo Cerbasi, www.maisdinheiro.com.br/


GUSTAVO CERBASI - Cuide bem de sua antiga poupança

letras financeiras e letras de crédito. Como o CDI vem caindo, também diminuiu a diferença entre os produtos oferecidos pelos bancos a seus clientes.

Quando a Selic e o CDI estavam em 20% ao ano, um CDB de banco de varejo que oferecia 90% do CDI pagava ao investidor algo próximo de 18% ao ano. Um CDB de pequeno banco ou uma letra financeira que pagava 105% do CDI premiava o investidor com 21% ao ano. Hoje, essa diferença de 3 pontos percentuais é impensável e será mais utópica à medida que os juros baixarem mais.

Ganha mais destaque com possíveis novas quedas nos juros o rendimento sobre os saldos depositados em caderneta de poupança antes de 4 de maio, fixado em 6,17% ao ano mais a taxa referencial. Como a poupança é isenta de impostos, e o rendimento sobre esses saldos será fixo, cada nova queda na Selic aproximará o desempenho da antiga poupança dos melhores produtos de renda fixa do mercado.

Surpreendentemente, a poupança, até então considerada investimento adequado apenas para o poupador com recursos limitados e pouco conhecimento financeiro, pode virar o melhor produto de renda fixa caso a taxa Selic caia ao patamar de 7,25% ao ano. Nesse nível, os produtos que pagam 100% do CDI estarão rendendo 6,16% após o desconto do Imposto de Renda.

Abaixo do patamar de 7,25%, a opção de renda fixa para os grandes investidores será manter saldos na antiga poupança (caso já tenham depositado). Ou investir em diversos títulos de bancos menores, com maior risco. Outra opção de investimento que ganha força são os planos de previdência privada. Normalmente desprezados por parte dos especialistas, os planos sem taxa de carregamento e com taxas de administração inferiores a 1% ao ano permitem, com alguns cuidados, a restituição de até 100% do imposto retido.

Esses produtos que, até então, assumiam as últimas colocações nas listas de recomendações de analistas podem ganhar atratividade, desestimulando investidores tradicionais a continuar na renda fixa. A dúvida é se a economia permitirá reduzir a taxa Selic para 7,25% ao ano ou menos. E se o lobby dos bancos não imporá novas mudanças nas regras da renda fixa para preservar lucros.

Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Pais Inteligentes Emriquecem seus Filhos (Ed. Sextante).

Gustavo Cerbasi - Menos dívida, Mais dinheiro

conquistar reais condições de quitá-lo com tranquilidade. Pagam uma montanha de juros por isso. Assumem prestações que tornam a maior parte do orçamento inflexível. Falta dinheiro para o lazer e para os planos de curto e médio prazo.

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Não há verba para se educar e aumentar sua renda. Poupar? Nem pensar. Com um orçamento apertado por uma pesada prestação, qualquer imprevisto leva esses brasileiros a contraírem pequenas dívidas. Férias? Carro? Só financiados. A casa está a caminho de se tornar própria, mas todo o consumo é dependente do dinheiro de bancos ou financeiras, deteriorado por juros, que diminuem o poder de compra.

O que nos falta é a percepção de que a ingênua escolha de se endividar excessivamente para pagar a casa própria faz com que seu consumo cotidiano deixe de ser próprio. Uma vez dentro da ciranda das dívidas, esse brasileiro só consegue consumir se tiver um banco disposto a lhe alugar dinheiro a juros nada convenientes. Não é raro deparar com a absurda proposta de dividir compras de supermercado em 12 prestações.

Se desmembrarmos o orçamento da classe média entre consumo, impostos e custo financeiro, teremos aproximadamente um terço da renda para cada um desses itens. Em outras palavras, apenas um terço do suado dinheirinho do trabalho realmente se transforma em aquisição de bem-estar. O restante é dividindo entre um governo ganancioso e incompetente e bancos competentes em entender e explorar esse jogo.

Existe receita para tornar seu consumo mais eficiente. Prefira uma vida simples, para que mais dinheiro sobre para suas escolhas de bem-estar. Enquanto não tiver ao menos 40% do valor do imóvel que deseja comprar, trabalhe bastante, estude para aumentar sua renda e viva em um imóvel alugado, mais modesto do que aquele que você compraria. Poupe um pouco e gaste seu dinheiro com prazer.

A hora de comprar chegará quando, ao fazer as contas, você perceber que pode quitar seu imóvel em um prazo de até 15 anos. Depois disso, você terá que gastar com reformas. Discipline-se para acumular dinheiro antes de realizar seus sonhos cotidianos de consumo. Evitando dívidas e compras a prazo, você pagará menos juros e comprará mais bens e serviços, dando mais produtividade a seu dinheiro.É um ganho considerável.

Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Pais Inteligentes Emriquecem seus Filhos (Ed. Sextante).

Carteirada no mercado - Gustavo Cerbasi

Na semana passada tivemos mais um triste episódio de interferência do governo em uma empresa pública, com a imposição ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal de uma política de redução forçada de juros.

Os interesses do governo são louváveis, afinal o objetivo é estimular o crédito para o consumo e para a produção interna, trazendo como consequência o aquecimento da economia. Para sustentar o crescimento equilibrado, cabe ao governo contar com todas as ferramentas disponíveis, incluindo a desoneração fiscal, o corte de gastos e – por que não? – seu poder de decisão como acionista-mor das empresas públicas.

 
Porém, os interesses nacionais deixam de ter propósito quando objetivos de curto prazo – aquecimento temporário da economia – atropelam regras de credibilidade e de equilíbrio do mercado que são construídas no longo prazo.
 BB e CEF são instituições que sempre estabeleceram suas políticas de acordo com interesses políticos. Consequentemente, supõe-se que as políticas de crédito adotadas até então já vinham atendendo, em situação limítrofe, aos interesses de aquecimento da economia.

Mas, ao forçar o preço do crédito para níveis abaixo do equilíbrio saudável a essas empresas, a interferência governamental afeta não apenas as contas dos dois bancos de propriedade da União. Sendo o Banco do Brasil uma empresa de capital aberto, são afetados também investidores que, até então, acreditavam que a gestão guiaria suas decisões no sentido de priorizar o crescimento dos resultados e da capacidade de crescimento.

Definir uma política de negócios com base na expansão de mercado e não de resultados é caminho certo para a deterioração da saúde de uma empresa. Isso explica por que as ações do BB caíram quase 6% no dia do anúncio das medidas. A interferência do governo Dilma reitera uma prática antiga no país, que nos últimos anos afetou significativamente os resultados e os investimentos de empresas como Petrobras, Infraero, Correios e Furnas, entre outras, e que gerou como consequência de longo prazo a desconfiança de investidores e da população quanto à sustentabilidade das medidas.

Investidores de qualquer lugar no mundo sabem que, ao investir em uma empresa pública brasileira, correm o risco de ter parte do lucro tomado pelo governo para cobrir um rombo no INSS ou de ter preços manipulados para incentivar políticas de curto prazo. A imposição de preços irreais para o crédito não é diferente do que tem sido feito com o preço dos combustíveis. Enquanto a Petrobras funciona à margem das regras de mercado, sua credibilidade é questionada e a dificuldade para captar recursos aumenta, limitando investimentos e, consequentemente, o crescimento da empresa e do preço de suas ações.

Fossem as empresas públicas mais confiáveis e menos manipuladas, seria mais fácil expandir suas atividades e diminuir o custo de financiamento dessa expansão. Isso poderia ser feito com aumento do capital em Bolsa. O que muitos chamam de privatização é, na verdade, um jogo de confiança na criação de resultados sustentáveis.

Existem outros mecanismos para interferir na economia sem quebrar regras de mercado. Por exemplo, se o governo crê que o crédito não cresce porque a concorrência é entre poucos e esses poucos cobram muito, poderia facilitar a concorrência e, com políticas mais flexíveis, permitir o crescimento de bancos menores ou a entrada no país de mais bancos estrangeiros.

Poderia também acelerar a reforma fiscal e aumentar a arrecadação com maior atividade na economia, mesmo que cobrando alíquotas menores de impostos. Como se diz no meio empresarial, ganhando no giro e não na margem.
 Essas interferências que surpreendem o mercado nada mais são do que o resultado da incapacidade de planejar a longo prazo. Enquanto o horizonte máximo de planejamento público continuar sendo a próxima eleição, governar continuará sendo sinônimo de apagar incêndios e de manipular regras. Afinal, no Brasil, somos pródigos em esquecer, com o tempo, as grandes bobagens que são feitas no presente.

Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é especialista em educação financeira e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Pais Inteligentes Enriquecem seus Filhos (Ed. Sextante).

Como anda a sua vida financeira?

Vivemos em uma sociedade que valoriza muito o dinheiro, mas não somos educados, desde a infância, para lidar com ele. Ao contrário, crescemos cheios de crenças negativas a respeito de dinheiro. Mas, quando nos tornamos adultos, esperam que tenhamos maturidade financeira e nos tornemos pessoas bem-sucedidas e financeiramente independentes. Em geral, quando criança, ninguém aprendeu que ser bem-sucedido ou malsucedido na vida depende da sua relação com o dinheiro.

Há muitas crenças e mitos sobre dinheiro, quase sempre associando-o a corrupção, egoísmo, sujeira, pecado. Muita gente acredita que é preciso travar um embate sangrento e violento para ter dinheiro, associando sua conquista a muita luta e sofrimento. O problema é que essas crenças e pensamentos negativos a respeito de dinheiro podem minar as suas expectativas de se tornar uma pessoa financeiramente independente.

Como todo mundo, você deve ter ouvido muitos absurdos sobre dinheiro ainda na infância, dentro de casa, ditos por seus pais, avôs, tios e professores. Ou seja: ouviu coisas negativas sobre dinheiro ditas por pessoas que você respeitava como autoridade e em uma idade em que, como esponja, você absorvia tudo o que lhe fosse dito. Resultado: tais valores ficaram em você e se levantam como barreiras poderosas cada vez que você se depara com situações que envolvam dinheiro.

Mas há outros problemas sérios relacionados a dinheiro, como as síndromes da falta do afeto e a da dependência. No primeiro caso, a pessoa associa dinheiro a falta de afeto; no segundo, a dependência afetiva faz com que ela não consiga ganhar o suficiente para ser financeiramente independente.
Heranças, por incrível que pareça, também constituem um problema. Por estarem associadas à morte, exigem que o herdeiro se liberte desse estigma e aceite o dinheiro herdado sem culpa ou remorso. Enquanto isso não acontece, o herdeiro fará o possível para livrar-se do dinheiro rapidamente, seja de modo perdulário ou em negócios malsucedidos.

Há também a síndrome de desaprovação dos pais, que incita sentimentos de culpa, medo ou revolta, dificultando que a pessoa conquiste sua prosperidade. O problema surge quando a pessoa desenvolve um medo inconsciente de se tornar mais bem-sucedida que seus pais ou quando estes a pressionam para que obtenha sucesso. Em ambos os casos, o sucesso passa bem longe da pessoa!
O primeiro passo para a independência financeira é harmonizar-se com o dinheiro, desenvolvendo com ele uma relação de amizade, sempre com pensamentos positivos a respeito de dinheiro, riqueza, prosperidade, abundância e ambição.

Tenha sempre em mente que o Universo é potencialmente abundante e que não é preciso que alguém perca para que você seja vitorioso. Ao contrário, ambos podem sair triunfantes! Ao jogar o jogo do ganha-ganha, você e o outro sempre saem ganhando, contribuindo para expandir ainda mais a riqueza universal. Saiba que ter ambição, desejar ganhar dinheiro e enriquecer, sempre jogando o jogo do ganha-ganha, não é pecado. Assim como tornar-se mais próspero que seus pais não deve ser um fardo para você, mas simbolizar a sua gratidão pela forma como eles o criaram. Lembre-se de que temos plenos poderes sobre os nossos pensamentos e que estes são os responsáveis pela nossa realidade. Portanto, empenhe-se em formular pensamentos extremamente positivos e você terá um incentivo a mais na busca por felicidade e realização pessoal.




+ Artigos - Dr. Lair Ribeiro



GUSTAVO CERBASI - 12 ERROS DE QUEM POUPA PARA A APOSENTADORIA


Para consultor financeiro Gustavo Cerbasi, heranças econômica e cultural prejudicam os beneficiários de planos de previdência



"Popstar" Gustavo Cerbasi ensina a poupar
Gustavo Cerbasi: rotina de fotos e autógrafos durante a Expo Money
São Paulo – Com a conjuntura econômica e as perspectivas para o futuro, os especialistas em previdência complementar no Brasil estão otimistas. O gargalo atualmente recai sobre a educação financeira. Muita gente ainda não entende a importância de poupar para a aposentadoria, ou então comete erros que reduzem a capacidade de acumulação para o futuro.
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Quem dispõe de um fundo de pensão na empresa onde trabalha já tem uma grande oportunidade em mãos. Nessa modalidade de investimento, a empresa também contribui para a aposentadoria do funcionário, normalmente duplicando o valor poupado todo mês. Em recente evento da consultoria Mercer, o consultor financeiro Gustavo Cerbasi esmiuçou, numa palestra, diversos erros cometidos pelos beneficiários deste tipo de plano, muitos dos quais se aplicam aos poupadores em geral. Confira:
1. Calcular que a renda da aposentadoria será menor que a renda atual
Segundo Gustavo Cerbasi, muitos consultores financeiros dizem que, para poupar para a previdência, as pessoas devem almejar uma renda de pelo menos 65% a 70% da renda do ápice da carreira. Esse cálculo leva em conta o fato de que, nessa fase da vida, os gastos serão menores, pois os filhos já estarão crescidos e autossuficientes e a casa própria já estará quitada. Mas esses percentuais não são regra. O consumo com lazer, saúde ou com a própria família podem requerer uma renda ainda maior do que exigem no presente, e é preciso levar isso em conta no planejamento.
2. Excesso de conservadorismo até entre os mais jovens
O perfil do poupador brasileiro ainda é muito conservador. Segundo levantamento da Mercer realizado em 2009, mesmo entre os mais jovens – menores de 30 anos – apenas 33% optam pelo perfil mais agressivo do fundo de pensão oferecido por sua empresa (até 49% em renda variável). Essa proporção de um terço mais ou menos se mantém até a faixa etária mais alta. O ideal seria que os jovens preferissem o perfil mais agressivo e migrassem para o mais conservador conforme a aposentadoria se aproxima. “O típico contribuinte de planos ainda não vê a renda variável como construção, e sim como aposta”, diz o consultor.
3. Resgatar os recursos do fundo de pensão quando se desliga da empresa
Esse é um piores e mais frequentes erros. De acordo com o mesmo levantamento da Mercer, 95% dos beneficiários de fundos de pensão com idade entre 35 e 49 anos resgatam seus recursos quando se desligam da empresa patrocinadora. Isso prejudica muito o planejamento da aposentadoria e, atualmente, é injustificável. O beneficiário pode optar pela portabilidade para outro fundo de pensão ou para um fundo de previdência aberta, ou então continuar no mesmo fundo fechado, contribuindo apenas com a sua parte. Ao retirar o dinheiro cedo demais, a pessoa não consegue aproveitar o benefício tributário dos fundos de previdência, por meio do qual a alíquota de Imposto de Renda cai à medida que o tempo passa.
4. Optar por renda vitalícia ou renda por prazo determinado
Felizmente, 60% dos beneficiários de fundos de pensão optam pela modalidade de renda em forma de percentual do saldo poupado. Ou seja, ao atingir a idade da aposentadoria, a renda será proporcional ao saldo que foi acumulado, de forma a preservá-lo o máximo possível. “Buscar uma renda que preserve o saldo mostra um bom grau de educação financeira”, diz o consultor Gustavo Cerbasi.
Contudo, 40% das pessoas que contribuem para fundos de pensão optam pelas outras modalidades, a renda vitalícia e a renda por prazo certo. A primeira transmite uma falsa sensação de segurança, mas para atingi-la é inevitável que haja uma rentabilidade menor. A segunda considera uma determinada renda por um prazo de tempo pré-definido. Isso significa que ela pode faltar antes da hora. “Essa é a pior modalidade possível. É apostar contra si mesmo”, opina Cerbasi.
5. Encarar a empresa que oferece fundo de pensão como a única responsável pelo seu futuro
Quem tem a oportunidade de investir em um fundo de pensão patrocinado pela empresa em que trabalha não deve deixar de aproveitá-la. Porém, é preciso ter consciência de que esse benefício é uma complementação à Previdência Social e uma tentativa de “tapar o buraco” da educação financeira do brasileiro. Quem tiver essa chance não deve prescindir de outros tipos de investimentos, mais arrojados, para se resguardar; nem das aplicações mais líquidas, como a renda fixa, para as emergências.
6. Priorizar o consumo à poupança
A história econômica turbulenta do Brasil criou uma série de “vícios sociais”, nas palavras de Gustavo Cerbasi. Um deles é o imediatismo do consumo, que mina a capacidade de poupança. O histórico de hiperinflação, com aumento de preços em questão de horas, e um sistema financeiro frágil transformaram os brasileiros em “gatos escaldados”, preocupados apenas com o consumo imediato.
Esse comportamento já está tão entranhado que os tempos mudaram, mas as pessoas continuam deixando de poupar para o futuro para consumir agora, formar estoques, comprar a casa própria talvez cedo demais. Quando decidem guardar dinheiro, muitos brasileiros optam ainda pela modalidade menos rentável e mais segura, a caderneta de poupança.
7. Encarar a poupança como sacrifício e privação de felicidade
Em função dessa cultura, deixar de consumir para poupar é visto por muita gente como um ato de sacrifício, como se a pessoa deixasse de aproveitar a vida e a juventude para um futuro que ela nem sabe se vai vir. Para Gustavo Cerbasi, porém, é tudo uma questão de equilíbrio. Em vez de desenvolver uma relação negativa com o consumo – cortar gastos para acumular –, é melhor optar pelo consumo sustentável, ponderado, e por um modo de vida mais simples e que ainda dê prazer. E em vez de temer as incertezas do futuro, traçar metas e sonhos pelos quais valha a pena lutar, transformando o futuro num horizonte inspirador. “A pessoa não pode ter um padrão de vida que a deixe infeliz”, diz Cerbasi.
8. Consumir pelos antepassados ou “dar ao filho o que não pôde ter”
O que o consultor chama de ânsia de consumir se manifesta também sob a forma de catarse ou compensação pelos tempos difíceis. É o ato de consumir pelos pais que viveram a era da hiperinflação ou então de “dar para os filhos o que eu não pude ter”. “Não é para menosprezar o consumo. Mas controlar essa ânsia de consumir o que não era possível consumir antes”, diz Cerbasi.
9. Comprar imóvel cedo demais
Na cesta dessa ansiedade entra a compra da casa própria. Esse é um dos alicerces da classe média brasileira, que considera essencial a compra de um imóvel para morar em algum momento da vida adulta. Quem viveu na pele a era da economia frágil exige que seus filhos só saiam de casa ou se casem se puderem comprar um imóvel, um bem tangível que, ainda por cima, é um investimento. Na opinião de Cerbasi essa (auto)imposição pode acabar sendo desastrosa.
“A casa própria é o maior problema da sociedade brasileira hoje. Não é que eu seja contra a compra da casa própria, só acho que o timing de fazê-la está errado”, opina. Ele acredita que comprar o primeiro imóvel por volta dos 30 anos de idade talvez não seja a escolha mais inteligente. Primeiro porque, se o jovem for casado, vai comprar um imóvel maior que suas necessidades atuais. Como sua renda ainda não é muito alta, será necessário financiá-lo por um prazo longo. Ou seja, o imóvel terá que ser adequado para suprir as necessidades do casal durante um bom tempo, inclusive quando os filhos vierem.
Em segundo lugar, ao comprometer boa parte de sua renda com um financiamento longo, o jovem sem filhos deixa de poupar para a aposentadoria justamente na época em sua capacidade de poupança é maior. Além disso, ele perde a mobilidade e a liberdade de buscar um emprego do outro lado da cidade, em outro estado ou mesmo em outro país. “Essa é a fase em que o jovem deve se dedicar a consolidar a carreira”, diz o consultor financeiro.
10. Não aceitar a queda no padrão de vida quando começa a andar com as próprias pernas
Outro traço da cultura da classe média brasileira que atrapalha a formação de um colchão para a aposentadoria é a não aceitação de qualquer queda no padrão de vida, mesmo que isso não signifique passar fome. Ao sair de casa para casar ou mesmo para morar sozinho ainda aos vinte e poucos anos, os jovens costumam experimentar uma boa queda no padrão de vida, uma vez que sua renda ainda não é suficiente para manter o padrão oferecido pelos pais.
O problema é que nem todo mundo consegue encarar essa situação com a devida naturalidade. Muitas vezes, os próprios pais pressionam os filhos a só saírem de casa caso consigam comprar um imóvel semelhante ao deles e no mesmo bairro. Em resposta às pressões sociais, os jovens acabam comprometendo boa parte da renda na compra da casa própria, ou adiando a conquista da independência. Mas as pessoas esquecem que é melhor o padrão de vida ser mais baixo na juventude do que na terceira idade.
11. Consumir para ostentar
Esse traço de comportamento Cerbasi não atribui à herança da era da inflação e do sistema financeiro frágil. “A ostentação faz parte da cultura latina. Querer ter porque o vizinho tem e sentir prazer em exibir suas posses para os outros”, explica o consultor. Essa, é claro, é uma grande armadilha para quem quer ter um consumo consciente e sustentável de acordo com a renda.
12. Pensar que a aposentadoria é o fim da linha
Durante a juventude é muito fácil cair na ilusão de que a aposentadoria é o canto do cisne, principalmente para quem é imediatista. Muitos jovens acham que aos 65 anos serão velhos demais, que o fim da vida estará próximo, que não terão mais vontade de sair e se divertir e que nunca ficarão doentes.
Mas esse pensamento é uma herança de quando a expectativa de vida do brasileiro era baixa, e praticamente equivalia ao período da vida ativa. Essa realidade mudou, e hoje as pessoas se aposentam relativamente jovens, com muita vida pela frente e disposição para trabalhar, viajar e “curtir” ainda mais.
O segredo é encarar a previdência não como poupança para a “sobrevida”, mas como renda para apostar em sonhos que ainda não puderam ser realizados. Quem sabe uma nova carreira, um negócio próprio, uma grande viagem. “Hoje em dia as pessoas estão vivendo muito, e querem manter os padrões de consumo da ativa”, lembra Gustavo Cerbasi. Quem não se preparou para isso, vai onerar os próprios filhos, que deixarão de poupar para a própria aposentadoria a fim de manter o padrão de vida dos pais, iniciando um círculo vicioso.
Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Investimentos Inteligentes (Thomas Nelson Brasil) Mais Tempo, Mais Dinheiro (Thomas Nelson Brasil).
Via - exame.abril.com.br

Férias piratas - Gustavo Cerbasi


Rezam as cartilhas de finanças pessoais que quem cuida bem do dinheiro e faz planos coerentemente durante o ano consegue iniciar um ano novo com contas em dia, dívidas sob controle, um pé de meia e ainda uma verba para desfrutar um pouco das férias escolares dos filhos.
Digamos que você, ao menos, esforçou-se para ter recursos para gastar com o lazer das férias. Se conseguiu isso, é cedo para os parabéns, pois é grande a chance de lidar mal com seu dinheiro, independentemente de quantos objetivos você alcançou em sua lista de metas financeiras do ano ou de que tipo de sacrifício fez para contar com esses recursos.
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Não duvido de sua capacidade de discernir o que é certo ou errado. O problema é que, nas férias, multiplicam-se as oportunidades de desrespeito às regras de cidadania, a ponto de se tornar difícil evitar todos os erros.
Ao buscar alternativas à ebulição caseira da energia infantil, muitas famílias procuram sair de casa. É aí que iniciam as dificuldades, a começar por filas para todo lado.
Quem sai para viajar consome muitas horas e litros de combustível em engarrafamentos nas estradas. O consumo adicional obriga famílias a abastecer seus veículos mais vezes em postos de procedência desconhecida, raramente com algum compromisso com os clientes.
Paga-se gato por lebre para empresas que sonegam impostos e de quebra prejudicamos o desempenho mecânico e encurtamos o prazo de validade entre as manutenções do veículo.
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O vilão da história é a falta de fiscalização efetiva? Ou seria o consumidor, que, sem planejamento e passivo diante da sonegação, contribui para um Estado que arrecada menos e não consegue fiscalizar? E quem vai à praia com a família, para passar aquele dia de sol, sombra e dezenas de petiscos? Em todo o Brasil, cada água, cada cerveja, cada comidinha -não importa se camarão, siri, queijo, polvilho ou empanada- comprada de ambulantes é, em essência, um ato de contravenção. Sabe-se que o vendedor informal não recolhe impostos e quem aceita essa prática contribui para a fragilização da economia.
Alguns dirão que o ambulante compra seus produtos no mercado ou em fornecedores que pagam devidamente seus impostos, mas o problema é a falta de responsabilidade fiscal sobre a taxa de conveniência que o ambulante cobra a mais de você. Ele sonega. Se todos pagassem direito, o Estado arrecadaria mais e todos poderiam pagar proporcionalmente menos.
Mais pirataria. Logo no começo das férias, procurei levar meus filhos ao cinema, mas a escassa produção cinematográfica para crianças nos oferece apenas um ou dois filmes infantis por temporada -nem todos de boa qualidade.
Fui atrás do clássico DVD da “Cinderela”, que minha filha adora. Esgotado. Liguei para o distribuidor oficial e recebi uma resposta estarrecedora: “Esgotado. Não temos previsão de volta ao mercado. Para encontrar, só em distribuidor alternativo”. Ou seja, camelôs?!
Recuso-me! Nada de “Cinderela” nestas férias. Fomos atrás de atrações menos cinematográficas, mas foi frustrante. Faltam opções, fila para todo lado!
No moderno aquário de Santos, sob o escaldante sol de 35ºC (dúvida: o cliente só deve ser bem atendido após a bilheteria?), ou no aquário de São Paulo, nos parques temáticos, nos shows, nos teatros: em todas essas atrações encontrei camelôs vendendo bebidas nas filas e cambistas oferecendo ingressos por dezenas de reais a mais a quem quisesse evitar as filas.
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Serviço pirata! Recuso-me a pagar mais para quem lucra sem pagar impostos, ou seja, não segue as mesmas regras que eu. Minha receita para enfrentar filas e não entrar no jogo da informalidade? Leve um livro para ler para seus filhos.
Porém, vejo que muitos, no alto da arrogância de estarem com alguns recursos sobrando, facilmente aceitam participar do jogo da contravenção. A polícia observa, sabe disso, mas é insuficiente para controlar. Alguns cobram mais efetividade. O Estado não responde. Repito: será ele o vilão? Ou o Estado insuficiente é apenas fruto de cidadãos sem cidadania?
Gustavo Cerbasi,  site http://www.maisdinheiro.com.br

Enriqueçamos para o bem de todos -



A crescente educação financeira que vem abraçando a classe média ainda concentra seus esforços em reduzir dívidas, escolher melhor os financiamentos e reduzir gastos supérfluos -isso é previsível, já que passam por aí as principais decisões financeiras da classe média brasileira.
Mas ainda pouco se discute sobre ambição, enriquecimento e independência financeira. Falar sobre enriquecimento ainda é tabu em nossa cultura.
Seria bom mudar isso. Ao buscar sua riqueza e, principalmente, compartilhar com pessoas próximas seus objetivos, você estará não só encurtando o trajeto para alcançá-los como também estará contribuindo para a riqueza de muitas outras pessoas.
Leia - GUSTAVO CERBASI - QUANTO VALE SEU DINHEIRO?
Colocando em prática um plano de investimentos, o primeiro efeito será a formação de uma poupança crescente em seu banco ou em qualquer outro investimento. Quanto mais recursos um banco tiver nas contas de seus clientes, mais fundos terá para emprestar a empreendedores. Quanto mais poupança, menores serão os juros, pois dinheiro abundante fica mais barato.  E a conclusão é que, quanto mais os empreendedores de um país investem em seus negócios, mais empregos geram e mais riqueza se multiplica.
A aparentemente egoística atitude de enriquecer multiplica seus efeitos em uma sociedade.
No fundo, um país nunca será rico enquanto seus cidadãos não resolverem enriquecer. Pense um pouco mais em você, no futuro de sua família. Pense nas consequências de negligenciar seu futuro. Nas consequências de ser demasiadamente generoso consigo ou com terceiros hoje, comprometendo no futuro sua capacidade de doar e também de viver.

Leia -  COMO CONQUISTAR SUA LIBERDADE FINANCEIRA 

O mesmo vale para as relações de trabalho. Há uma ilusão generalizada criada pelo mundo corporativo, capaz de induzir o trabalhador a acreditar que ele dedica anos e anos de sua vida a uma suposta causa “de mercado”. O profissional moderno trabalha hoje pela carreira, pelo mercado, mas esquece que os maiores interessados em seu sucesso não são seu empregador nem esse “mercado”, mas sim sua família. As pessoas que mais querem o bem do trabalhador abrem mão de sua companhia, de seu papel de pai ou mãe, marido ou esposa, para que se possa ganhar o pão de cada dia.
A ilusão está no fato de o trabalhador ser induzido a acreditar que a empresa é mais importante que ele mesmo. Seria uma atitude muito egoística reconhecer que trabalhamos e ganhamos apenas pelo fato de estarmos enriquecendo os donos das empresas?
Reflita: as empresas não pagam salários por caridade ou generosidade. Pagarão nossos salários enquanto formos capazes de aumentar seus lucros e, quanto mais contribuirmos para esse aumento, mais seremos recompensados.
Essa visão aparentemente egoística das relações de trabalho é, na verdade, uma visão justa e promotora do enriquecimento. Cada empresário deveria procurar meios de conscientizar seus colaboradores de que o papel do trabalhador nas empresas é aumentar os lucros dos acionistas. Não há nada de errado ou feio nisso.

Leia 10 DICAS PARA SAIR DO VERMELHO:
É justo, pois o acionista, antes de mais nada, é aquele que soube reservar parte de sua riqueza e então colocá-la para trabalhar, contando com terceiros -seus colaboradores- para ter sucesso nessa tarefa. Uma provável consequência desse desenvolvimento da consciência coletiva seria a inspiração para que cada colaborador pensasse um pouco mais em seu futuro, reservando parte daquela recompensa para formar uma boa poupança e, um dia, montar sua própria empresa -com outros colaboradores trabalhando para multiplicar seu capital.
Uma sociedade com crescimento saudável passa, portanto, pela necessidade de enriquecimento de cada uma de suas partes. Se as atuais famílias ricas entesourarem seus conhecimentos sobre riqueza, estarão, no mínimo, fadadas à estagnação de seu patrimônio. Valorizar o enriquecimento dos indivíduos é garantir que os negócios de nossos netos continuem prosperando.

Gustavo Cerbasi,  site http://www.maisdinheiro.com.br

 

 
 
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