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Finanças: COMO GARIMPAR OPORTUNIDADES - GUSTAVO CERBASI

Que atire a primeira pedra quem nunca se frustrou ao buscar uma dica de investimentos aparentemente quente, e tempos depois perceber que fez uma péssima escolha. Será que especialistas e a imprensa especializada tentam ludibriar os menos experientes? Ou será que bons investimentos simplesmente deixam de ser bons quando pessoas comuns passam a optar por eles?
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Aposte nessa segunda reflexão. Um bom investimento hoje provavelmente deixará de ser bom em um prazo não muito longo. Isso não é profecia, mas sim pura lógica econômica. Os melhores investimentos provavelmente serão as maiores causas de frustrações para desavisados, simplesmente porque oportunidades têm prazo de validade.
Ganho fácil é aquilo que chamamos de oportunidade, pois é improvável que, sendo fácil, dure muito tempo. Afinal, quanto maior a facilidade de ganhos que uma oportunidade traz, mais evidente ela é para empreendedores e investidores, e mais rapidamente atrairá interessados em aproveitá-la.
Quando muitas pessoas disputam uma oportunidade, ela se torna escassa e encarece, deixando de ser uma oportunidade. Em outras palavras, mostre-me um caminho fácil para ganhar dinheiro, que eu consigo torná-lo difícil. Essa é uma reflexão essencial para quem lida com escolhas de investimentos e negócios.
Se muitos investidores disputam imóveis em uma região que se valoriza, a própria disputa gera escassez, que faz os preços dos imóveis subirem. Isso chama a atenção do mercado, atrai ainda mais investidores, criando preços desequilibrados, que em um segundo momento passam a despertar maior racionalidade e gerar desconfiança de que o desequilíbrio existe. Nesse momento, a oportunidade se esgotou. Se os preços subiram demasiadamente, pode acontecer uma queda abrupta de preços, causando o que se chama de estouro da bolha. Se a alta não for considerada muito absurda, os preços simplesmente estacionam em um certo patamar ou entram em um processo de declínio gradual por falta de interessados.
Esse fenômeno acontece com todo investimento que se torna uma moda. Pode ser no mercado de imóveis, de ações ou de qualquer outro ativo. Segundo a lei da oferta e da demanda, tudo que está na moda tende à saturação.
Por isso, uma das principais regras de sucesso de quem investe ou pretende investir é se envolver cada vez mais com o mercado em que negocia seus ativos. É importante acompanhar diferentes fontes de análise, frequentar eventos e cursos, trocar experiências com outros investidores e inovar na forma de estudar o desempenho da carteira de ativos. Quanto mais envolvido estiver o investidor, mais apto estará a identificar oportunidades – as novas, e não as velhas que já estão perdendo força.
Isso não significa que não há saída para aqueles que têm pouca experiência com investimentos. A velha recomendação estratégica continua válida: quanto menor seu envolvimento com investimentos, tenha uma carteira mais conservadora. Porém, com juros na casa de 8% ao ano e ganhos reais pouco acima de 2%, nem o mais conservador dos investidores deve se dar ao luxo de ter apenas recursos em renda fixa.
Os mais conservadores deveriam ter uma parcela pequena dos investimentos em mercados renda variável, seja em ações, commodities ou pequenos imóveis, para poder sentir o oportuno desconforto do sobe e desce dos preços. Por que oportuno? Porque as quedas de preços nos incomodam. O incômodo deveria levar o investidor a buscar mais informações sobre a perda que afeta parte de sua carteira, e essas informações o conduziriam a oportunidades ainda em seu estágio inicial. Daí viria o verdadeiro processo de enriquecimento, quando uma oportunidade de ganho fácil se mostra evidente e o investidor saca boa parte de sua renda fixa para comprá-la ainda barata.
Em tempos de juros baixos, oportunidades estão raras. Se você tem algo gerando resultados muito bons, tem em mãos um forte sinal de alerta. Pode estar chegando a hora de se desfazer desse ótimo ativo e buscar a próxima oportunidade.
Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos(Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Os Segredos dos Casais Inteligentes (Ed. Sextante).

Gustavo Cerbasi: 5 Passos para você conquistar sua independência financeira


1) Dedique tempo à construção de seu plano no papel ou em uma planilha eletrônica.
Principalmente para quem não lida com números no dia-a-dia, visualizar o plano ajuda tanto na motivação para executá-lo quanto na identificação de pontos falhos e “gordurinhas” – aquelas despesas mensais de pequeno valor e aparentemente irrelevantes, mas que são as grandes vilãs do orçamento quando somadas ao longo do mês.
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2) Relacione todas as suas fontes de recursos financeiros e todos os seus gastos mensais.
Seja detalhista, pelo menos uma vez na vida, ao longo de um mês. Coloque no papel todos os gastos, sem esquecer as migalhas que são drenadas de seu bolso na forma de gorjetas, arredondamentos na conta da padaria, cafés no meio do dia e aquelas “coisinhas a mais” que acabamos levando na banca de jornal quando compramos a Nova. Não será pelo valor da prestação de seu carro ou de suas últimas compras no shopping que seu orçamento apresentará problemas, porque provavelmente você verificou se havia espaço na sua renda para adquiri-los. Geralmente os orçamentos estouram porque aqueles pequenos valores que são desprezados ao longo do mês acabam se tornando algumas dezenas ou centenas de reais no balanço final – provavelmente um valor que faria toda diferença no futuro se fosse poupado mês a mês.]
3) Identifique suas possibilidades de redução de gastos e estabeleça limites para os gastos não programados.
O segredo de um bom planejamento financeiro é impor limites a certos gastos e ter disciplina para seguir estes limites. Se você levar a sério o item anterior, certamente irá se impressionar. Alguns gastos não são controláveis, como aluguel, impostos, escola e plano de saúde. Outros podem ser otimizados, como o gasto com alimentação e produtos de cuidado pessoal, substituindo marcas muito caras por equivalentes mais em conta e levando a sério a prática de fazer pesquisas de preços. Há também aqueles gastos que podem ser perfeitamente planejados, como a renovação do guarda-roupa, o happy hour com os amigos e o lazer de finais de semana. Com estes, estabeleça limites mensais para seus gastos, e seja fiel a estes limites. Por exemplo, estabeleça uma meta de, digamos, R$ 200 mensais para renovação do guarda-roupa. Se não gastar tudo este mês, terá a mais para o mês seguinte – mas não caia na bobagem de gastar a mais por antecedência.
4) Após otimizar seus gastos mensais, identifique de forma precisa o preço de sua sobrevivência, quanto você gasta mensalmente com segurança.
Seu padrão de vida deve ter um custo inferior a sua renda. Sugiro que você gaste para se manter, no máximo, 90% da renda líquida. No total destes gastos devem estar incluídas todas as contas essenciais, incluindo seu lazer, a renovação do guarda-roupa, as prestações do carro, seguros, gastos pequenos do dia-a-dia, etc. O importante é estabelecer um teto para seus gastos totais, seja rigorosa.
5) Calcule quanto sobra de sua remuneração para possíveis investimentos mensais.
Definindo com precisão os limites de seu orçamento, destine parte ou o total do excedente a um investimento que você faça regularmente. Se você optar por um plano de previdência privada, isto estará sendo feito com tranqüilidade. Se seu orçamento for disciplinado e você estiver satisfeita com a renda que seu plano financeiro estará garantindo no futuro, não haverá nenhum problema em fazer alguns luxos quando surgir alguma sobra – como o décimo-terceiro salário, a restituição do Imposto de Renda ou um bônus salarial. O melhor de um bom planejamento financeiro é a oportunidade que ele dá de gastarmos as sobras sem peso na consciência.
Via, Gustavo Cerbasi, www.maisdinheiro.com.br/


GUSTAVO CERBASI - Cuide bem de sua antiga poupança

letras financeiras e letras de crédito. Como o CDI vem caindo, também diminuiu a diferença entre os produtos oferecidos pelos bancos a seus clientes.

Quando a Selic e o CDI estavam em 20% ao ano, um CDB de banco de varejo que oferecia 90% do CDI pagava ao investidor algo próximo de 18% ao ano. Um CDB de pequeno banco ou uma letra financeira que pagava 105% do CDI premiava o investidor com 21% ao ano. Hoje, essa diferença de 3 pontos percentuais é impensável e será mais utópica à medida que os juros baixarem mais.

Ganha mais destaque com possíveis novas quedas nos juros o rendimento sobre os saldos depositados em caderneta de poupança antes de 4 de maio, fixado em 6,17% ao ano mais a taxa referencial. Como a poupança é isenta de impostos, e o rendimento sobre esses saldos será fixo, cada nova queda na Selic aproximará o desempenho da antiga poupança dos melhores produtos de renda fixa do mercado.

Surpreendentemente, a poupança, até então considerada investimento adequado apenas para o poupador com recursos limitados e pouco conhecimento financeiro, pode virar o melhor produto de renda fixa caso a taxa Selic caia ao patamar de 7,25% ao ano. Nesse nível, os produtos que pagam 100% do CDI estarão rendendo 6,16% após o desconto do Imposto de Renda.

Abaixo do patamar de 7,25%, a opção de renda fixa para os grandes investidores será manter saldos na antiga poupança (caso já tenham depositado). Ou investir em diversos títulos de bancos menores, com maior risco. Outra opção de investimento que ganha força são os planos de previdência privada. Normalmente desprezados por parte dos especialistas, os planos sem taxa de carregamento e com taxas de administração inferiores a 1% ao ano permitem, com alguns cuidados, a restituição de até 100% do imposto retido.

Esses produtos que, até então, assumiam as últimas colocações nas listas de recomendações de analistas podem ganhar atratividade, desestimulando investidores tradicionais a continuar na renda fixa. A dúvida é se a economia permitirá reduzir a taxa Selic para 7,25% ao ano ou menos. E se o lobby dos bancos não imporá novas mudanças nas regras da renda fixa para preservar lucros.

Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Pais Inteligentes Emriquecem seus Filhos (Ed. Sextante).

Gustavo Cerbasi - Menos dívida, Mais dinheiro

conquistar reais condições de quitá-lo com tranquilidade. Pagam uma montanha de juros por isso. Assumem prestações que tornam a maior parte do orçamento inflexível. Falta dinheiro para o lazer e para os planos de curto e médio prazo.

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Não há verba para se educar e aumentar sua renda. Poupar? Nem pensar. Com um orçamento apertado por uma pesada prestação, qualquer imprevisto leva esses brasileiros a contraírem pequenas dívidas. Férias? Carro? Só financiados. A casa está a caminho de se tornar própria, mas todo o consumo é dependente do dinheiro de bancos ou financeiras, deteriorado por juros, que diminuem o poder de compra.

O que nos falta é a percepção de que a ingênua escolha de se endividar excessivamente para pagar a casa própria faz com que seu consumo cotidiano deixe de ser próprio. Uma vez dentro da ciranda das dívidas, esse brasileiro só consegue consumir se tiver um banco disposto a lhe alugar dinheiro a juros nada convenientes. Não é raro deparar com a absurda proposta de dividir compras de supermercado em 12 prestações.

Se desmembrarmos o orçamento da classe média entre consumo, impostos e custo financeiro, teremos aproximadamente um terço da renda para cada um desses itens. Em outras palavras, apenas um terço do suado dinheirinho do trabalho realmente se transforma em aquisição de bem-estar. O restante é dividindo entre um governo ganancioso e incompetente e bancos competentes em entender e explorar esse jogo.

Existe receita para tornar seu consumo mais eficiente. Prefira uma vida simples, para que mais dinheiro sobre para suas escolhas de bem-estar. Enquanto não tiver ao menos 40% do valor do imóvel que deseja comprar, trabalhe bastante, estude para aumentar sua renda e viva em um imóvel alugado, mais modesto do que aquele que você compraria. Poupe um pouco e gaste seu dinheiro com prazer.

A hora de comprar chegará quando, ao fazer as contas, você perceber que pode quitar seu imóvel em um prazo de até 15 anos. Depois disso, você terá que gastar com reformas. Discipline-se para acumular dinheiro antes de realizar seus sonhos cotidianos de consumo. Evitando dívidas e compras a prazo, você pagará menos juros e comprará mais bens e serviços, dando mais produtividade a seu dinheiro.É um ganho considerável.

Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Pais Inteligentes Emriquecem seus Filhos (Ed. Sextante).

Gustavo Cerbasi: Enriqueça suas mudanças

Toda grande mudança na vida ou na rotina é uma oportunidade de acertar o que está em desequilíbrio, incluindo nossas finanças. Quem está para casar, para ter filhos, para se aposentar, para receber uma promoção ou para começar ou para terminar uma pós-graduação tem escolhas importantes a fazer. O ideal é aproveitar esse momento de quebra da zona de conforto para refletir sobre a qualidade das escolhas que pesam no bolso.


 

Um erro frequente é reorganizar a vida começando pelos maiores itens do orçamento. Por exemplo, quem quer sair da casa dos pais ou mudar de cidade tende a se preocupar, primeiramente, com a nova moradia, estimulando-se a sondar a região em que deseja viver para encontrar um teto que caiba no bolso.

Nessa etapa das primeiras escolhas, o erro está em não ter planos claramente definidos para os menores gastos. Corre-se o risco de optar por uma moradia maior do que o bolso comporta, pois um orçamento incompleto aparentemente viabiliza a escolha. Em razão disso, passa a ser alto o risco de não sobrar dinheiro para a desejável poupança e o lazer.

O correto seria inverter a ordem das escolhas. O primeiro compromisso que se deve assumir é com um objetivo de valor a ser poupado. Quanto? Depende de sua satisfação com a carreira e com seu momento presente. Quem está feliz com o trabalho, com a vida pessoal e social, com a renda e com o padrão de vida deve passar a poupar o mínimo necessário para dar sustentabilidade a esse estilo de vida satisfatório. Talvez 5% a 10% da renda mensal seja uma meta razoável, caso o poupador tenha planos de ainda trabalhar mais 40 anos pela frente.

Já quem tem consciência de que está vivendo uma rotina estressante, sem tempo para si e para a família, sem prazer no trabalho e com poucas perspectivas de mudanças no curto prazo, deve apertar o cinto e poupar mais. Quanto mais insatisfatória for sua vida presente, maior deve ser o sacrifício para acumular reservas financeiras. Elas serão a fonte de estabilidade para encarar a mudança de uma estabilidade infeliz para uma nova fase inspiradora. Perceba: o que nos prende a uma rotina insatisfatória é o medo de uma mudança não dar certo e perdermos nossa segura condição previsível, por pior que seja.

Definida sua meta de poupança mensal, o próximo passo é definir a verba para assegurar qualidade de vida desejável. Pergunte-se: o que você desejará fazer regularmente para se manter saudável e motivado? Quanto lhe custará, por mês, sair da rotina, cultivar hábitos saudáveis, rever amigos e parentes, enfim, cuidar de você mesmo? Ao definir essa verba, você certamente estará vivendo um presente mais rico.

Somente depois de assegurar verbas para seu futuro e para esse presente mais rico é que se deve cogitar as escolhas que moldarão seu custo de vida. Moradia, carro, plano de saúde e status do vestuário devem ser consequência da vida bem vivida, e não obstáculos a sua segurança e ao bem viver.

Obviamente, ao seguir essa sequência de escolhas e optar por uma vida mais simples, estaremos abrindo mão do conforto maior que teríamos ao adquirir uma casa mais espaçosa ou um carro mais equipado.

Porém, essa perda de conforto é amenizada pela maior verba disponibilizada para o consumo do lazer e bem-estar. O que é melhor: a rotina de um apartamento espaçoso ou a quebra de rotina de uma verba para o lazer que pode ter diferentes usos a cada mês -de jantares a viagens de circuitos culturais a reuniões de amigos?

Há ainda uma vantagem adicional ao tratar a quebra de rotina como um compromisso sério no orçamento familiar. Gastos com lazer são tipicamente gastos variáveis, diferentemente dos gastos fixos que caracterizam o custeio de moradia, de transporte, de educação, de alimentação e de saúde.

Quando surge um imprevisto, passeios e festas podem ser adiados, mas gastos fixos não. Quando podemos optar pela substituição de gastos, imprevistos são contornados com mais facilidade, sem que recorramos a dívidas.

Enfim, aqueles que cuidam melhor de si também têm menor chance de ter problemas! Vai esperar mais para ajustar sua vida?

Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Pais Inteligentes Emriquecem seus Filhos (Ed. Sextante).

Carteirada no mercado - Gustavo Cerbasi

Na semana passada tivemos mais um triste episódio de interferência do governo em uma empresa pública, com a imposição ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal de uma política de redução forçada de juros.

Os interesses do governo são louváveis, afinal o objetivo é estimular o crédito para o consumo e para a produção interna, trazendo como consequência o aquecimento da economia. Para sustentar o crescimento equilibrado, cabe ao governo contar com todas as ferramentas disponíveis, incluindo a desoneração fiscal, o corte de gastos e – por que não? – seu poder de decisão como acionista-mor das empresas públicas.

 
Porém, os interesses nacionais deixam de ter propósito quando objetivos de curto prazo – aquecimento temporário da economia – atropelam regras de credibilidade e de equilíbrio do mercado que são construídas no longo prazo.
 BB e CEF são instituições que sempre estabeleceram suas políticas de acordo com interesses políticos. Consequentemente, supõe-se que as políticas de crédito adotadas até então já vinham atendendo, em situação limítrofe, aos interesses de aquecimento da economia.

Mas, ao forçar o preço do crédito para níveis abaixo do equilíbrio saudável a essas empresas, a interferência governamental afeta não apenas as contas dos dois bancos de propriedade da União. Sendo o Banco do Brasil uma empresa de capital aberto, são afetados também investidores que, até então, acreditavam que a gestão guiaria suas decisões no sentido de priorizar o crescimento dos resultados e da capacidade de crescimento.

Definir uma política de negócios com base na expansão de mercado e não de resultados é caminho certo para a deterioração da saúde de uma empresa. Isso explica por que as ações do BB caíram quase 6% no dia do anúncio das medidas. A interferência do governo Dilma reitera uma prática antiga no país, que nos últimos anos afetou significativamente os resultados e os investimentos de empresas como Petrobras, Infraero, Correios e Furnas, entre outras, e que gerou como consequência de longo prazo a desconfiança de investidores e da população quanto à sustentabilidade das medidas.

Investidores de qualquer lugar no mundo sabem que, ao investir em uma empresa pública brasileira, correm o risco de ter parte do lucro tomado pelo governo para cobrir um rombo no INSS ou de ter preços manipulados para incentivar políticas de curto prazo. A imposição de preços irreais para o crédito não é diferente do que tem sido feito com o preço dos combustíveis. Enquanto a Petrobras funciona à margem das regras de mercado, sua credibilidade é questionada e a dificuldade para captar recursos aumenta, limitando investimentos e, consequentemente, o crescimento da empresa e do preço de suas ações.

Fossem as empresas públicas mais confiáveis e menos manipuladas, seria mais fácil expandir suas atividades e diminuir o custo de financiamento dessa expansão. Isso poderia ser feito com aumento do capital em Bolsa. O que muitos chamam de privatização é, na verdade, um jogo de confiança na criação de resultados sustentáveis.

Existem outros mecanismos para interferir na economia sem quebrar regras de mercado. Por exemplo, se o governo crê que o crédito não cresce porque a concorrência é entre poucos e esses poucos cobram muito, poderia facilitar a concorrência e, com políticas mais flexíveis, permitir o crescimento de bancos menores ou a entrada no país de mais bancos estrangeiros.

Poderia também acelerar a reforma fiscal e aumentar a arrecadação com maior atividade na economia, mesmo que cobrando alíquotas menores de impostos. Como se diz no meio empresarial, ganhando no giro e não na margem.
 Essas interferências que surpreendem o mercado nada mais são do que o resultado da incapacidade de planejar a longo prazo. Enquanto o horizonte máximo de planejamento público continuar sendo a próxima eleição, governar continuará sendo sinônimo de apagar incêndios e de manipular regras. Afinal, no Brasil, somos pródigos em esquecer, com o tempo, as grandes bobagens que são feitas no presente.

Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é especialista em educação financeira e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Pais Inteligentes Enriquecem seus Filhos (Ed. Sextante).

GUSTAVO CERBASI - 12 ERROS DE QUEM POUPA PARA A APOSENTADORIA


Para consultor financeiro Gustavo Cerbasi, heranças econômica e cultural prejudicam os beneficiários de planos de previdência



"Popstar" Gustavo Cerbasi ensina a poupar
Gustavo Cerbasi: rotina de fotos e autógrafos durante a Expo Money
São Paulo – Com a conjuntura econômica e as perspectivas para o futuro, os especialistas em previdência complementar no Brasil estão otimistas. O gargalo atualmente recai sobre a educação financeira. Muita gente ainda não entende a importância de poupar para a aposentadoria, ou então comete erros que reduzem a capacidade de acumulação para o futuro.
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Quem dispõe de um fundo de pensão na empresa onde trabalha já tem uma grande oportunidade em mãos. Nessa modalidade de investimento, a empresa também contribui para a aposentadoria do funcionário, normalmente duplicando o valor poupado todo mês. Em recente evento da consultoria Mercer, o consultor financeiro Gustavo Cerbasi esmiuçou, numa palestra, diversos erros cometidos pelos beneficiários deste tipo de plano, muitos dos quais se aplicam aos poupadores em geral. Confira:
1. Calcular que a renda da aposentadoria será menor que a renda atual
Segundo Gustavo Cerbasi, muitos consultores financeiros dizem que, para poupar para a previdência, as pessoas devem almejar uma renda de pelo menos 65% a 70% da renda do ápice da carreira. Esse cálculo leva em conta o fato de que, nessa fase da vida, os gastos serão menores, pois os filhos já estarão crescidos e autossuficientes e a casa própria já estará quitada. Mas esses percentuais não são regra. O consumo com lazer, saúde ou com a própria família podem requerer uma renda ainda maior do que exigem no presente, e é preciso levar isso em conta no planejamento.
2. Excesso de conservadorismo até entre os mais jovens
O perfil do poupador brasileiro ainda é muito conservador. Segundo levantamento da Mercer realizado em 2009, mesmo entre os mais jovens – menores de 30 anos – apenas 33% optam pelo perfil mais agressivo do fundo de pensão oferecido por sua empresa (até 49% em renda variável). Essa proporção de um terço mais ou menos se mantém até a faixa etária mais alta. O ideal seria que os jovens preferissem o perfil mais agressivo e migrassem para o mais conservador conforme a aposentadoria se aproxima. “O típico contribuinte de planos ainda não vê a renda variável como construção, e sim como aposta”, diz o consultor.
3. Resgatar os recursos do fundo de pensão quando se desliga da empresa
Esse é um piores e mais frequentes erros. De acordo com o mesmo levantamento da Mercer, 95% dos beneficiários de fundos de pensão com idade entre 35 e 49 anos resgatam seus recursos quando se desligam da empresa patrocinadora. Isso prejudica muito o planejamento da aposentadoria e, atualmente, é injustificável. O beneficiário pode optar pela portabilidade para outro fundo de pensão ou para um fundo de previdência aberta, ou então continuar no mesmo fundo fechado, contribuindo apenas com a sua parte. Ao retirar o dinheiro cedo demais, a pessoa não consegue aproveitar o benefício tributário dos fundos de previdência, por meio do qual a alíquota de Imposto de Renda cai à medida que o tempo passa.
4. Optar por renda vitalícia ou renda por prazo determinado
Felizmente, 60% dos beneficiários de fundos de pensão optam pela modalidade de renda em forma de percentual do saldo poupado. Ou seja, ao atingir a idade da aposentadoria, a renda será proporcional ao saldo que foi acumulado, de forma a preservá-lo o máximo possível. “Buscar uma renda que preserve o saldo mostra um bom grau de educação financeira”, diz o consultor Gustavo Cerbasi.
Contudo, 40% das pessoas que contribuem para fundos de pensão optam pelas outras modalidades, a renda vitalícia e a renda por prazo certo. A primeira transmite uma falsa sensação de segurança, mas para atingi-la é inevitável que haja uma rentabilidade menor. A segunda considera uma determinada renda por um prazo de tempo pré-definido. Isso significa que ela pode faltar antes da hora. “Essa é a pior modalidade possível. É apostar contra si mesmo”, opina Cerbasi.
5. Encarar a empresa que oferece fundo de pensão como a única responsável pelo seu futuro
Quem tem a oportunidade de investir em um fundo de pensão patrocinado pela empresa em que trabalha não deve deixar de aproveitá-la. Porém, é preciso ter consciência de que esse benefício é uma complementação à Previdência Social e uma tentativa de “tapar o buraco” da educação financeira do brasileiro. Quem tiver essa chance não deve prescindir de outros tipos de investimentos, mais arrojados, para se resguardar; nem das aplicações mais líquidas, como a renda fixa, para as emergências.
6. Priorizar o consumo à poupança
A história econômica turbulenta do Brasil criou uma série de “vícios sociais”, nas palavras de Gustavo Cerbasi. Um deles é o imediatismo do consumo, que mina a capacidade de poupança. O histórico de hiperinflação, com aumento de preços em questão de horas, e um sistema financeiro frágil transformaram os brasileiros em “gatos escaldados”, preocupados apenas com o consumo imediato.
Esse comportamento já está tão entranhado que os tempos mudaram, mas as pessoas continuam deixando de poupar para o futuro para consumir agora, formar estoques, comprar a casa própria talvez cedo demais. Quando decidem guardar dinheiro, muitos brasileiros optam ainda pela modalidade menos rentável e mais segura, a caderneta de poupança.
7. Encarar a poupança como sacrifício e privação de felicidade
Em função dessa cultura, deixar de consumir para poupar é visto por muita gente como um ato de sacrifício, como se a pessoa deixasse de aproveitar a vida e a juventude para um futuro que ela nem sabe se vai vir. Para Gustavo Cerbasi, porém, é tudo uma questão de equilíbrio. Em vez de desenvolver uma relação negativa com o consumo – cortar gastos para acumular –, é melhor optar pelo consumo sustentável, ponderado, e por um modo de vida mais simples e que ainda dê prazer. E em vez de temer as incertezas do futuro, traçar metas e sonhos pelos quais valha a pena lutar, transformando o futuro num horizonte inspirador. “A pessoa não pode ter um padrão de vida que a deixe infeliz”, diz Cerbasi.
8. Consumir pelos antepassados ou “dar ao filho o que não pôde ter”
O que o consultor chama de ânsia de consumir se manifesta também sob a forma de catarse ou compensação pelos tempos difíceis. É o ato de consumir pelos pais que viveram a era da hiperinflação ou então de “dar para os filhos o que eu não pude ter”. “Não é para menosprezar o consumo. Mas controlar essa ânsia de consumir o que não era possível consumir antes”, diz Cerbasi.
9. Comprar imóvel cedo demais
Na cesta dessa ansiedade entra a compra da casa própria. Esse é um dos alicerces da classe média brasileira, que considera essencial a compra de um imóvel para morar em algum momento da vida adulta. Quem viveu na pele a era da economia frágil exige que seus filhos só saiam de casa ou se casem se puderem comprar um imóvel, um bem tangível que, ainda por cima, é um investimento. Na opinião de Cerbasi essa (auto)imposição pode acabar sendo desastrosa.
“A casa própria é o maior problema da sociedade brasileira hoje. Não é que eu seja contra a compra da casa própria, só acho que o timing de fazê-la está errado”, opina. Ele acredita que comprar o primeiro imóvel por volta dos 30 anos de idade talvez não seja a escolha mais inteligente. Primeiro porque, se o jovem for casado, vai comprar um imóvel maior que suas necessidades atuais. Como sua renda ainda não é muito alta, será necessário financiá-lo por um prazo longo. Ou seja, o imóvel terá que ser adequado para suprir as necessidades do casal durante um bom tempo, inclusive quando os filhos vierem.
Em segundo lugar, ao comprometer boa parte de sua renda com um financiamento longo, o jovem sem filhos deixa de poupar para a aposentadoria justamente na época em sua capacidade de poupança é maior. Além disso, ele perde a mobilidade e a liberdade de buscar um emprego do outro lado da cidade, em outro estado ou mesmo em outro país. “Essa é a fase em que o jovem deve se dedicar a consolidar a carreira”, diz o consultor financeiro.
10. Não aceitar a queda no padrão de vida quando começa a andar com as próprias pernas
Outro traço da cultura da classe média brasileira que atrapalha a formação de um colchão para a aposentadoria é a não aceitação de qualquer queda no padrão de vida, mesmo que isso não signifique passar fome. Ao sair de casa para casar ou mesmo para morar sozinho ainda aos vinte e poucos anos, os jovens costumam experimentar uma boa queda no padrão de vida, uma vez que sua renda ainda não é suficiente para manter o padrão oferecido pelos pais.
O problema é que nem todo mundo consegue encarar essa situação com a devida naturalidade. Muitas vezes, os próprios pais pressionam os filhos a só saírem de casa caso consigam comprar um imóvel semelhante ao deles e no mesmo bairro. Em resposta às pressões sociais, os jovens acabam comprometendo boa parte da renda na compra da casa própria, ou adiando a conquista da independência. Mas as pessoas esquecem que é melhor o padrão de vida ser mais baixo na juventude do que na terceira idade.
11. Consumir para ostentar
Esse traço de comportamento Cerbasi não atribui à herança da era da inflação e do sistema financeiro frágil. “A ostentação faz parte da cultura latina. Querer ter porque o vizinho tem e sentir prazer em exibir suas posses para os outros”, explica o consultor. Essa, é claro, é uma grande armadilha para quem quer ter um consumo consciente e sustentável de acordo com a renda.
12. Pensar que a aposentadoria é o fim da linha
Durante a juventude é muito fácil cair na ilusão de que a aposentadoria é o canto do cisne, principalmente para quem é imediatista. Muitos jovens acham que aos 65 anos serão velhos demais, que o fim da vida estará próximo, que não terão mais vontade de sair e se divertir e que nunca ficarão doentes.
Mas esse pensamento é uma herança de quando a expectativa de vida do brasileiro era baixa, e praticamente equivalia ao período da vida ativa. Essa realidade mudou, e hoje as pessoas se aposentam relativamente jovens, com muita vida pela frente e disposição para trabalhar, viajar e “curtir” ainda mais.
O segredo é encarar a previdência não como poupança para a “sobrevida”, mas como renda para apostar em sonhos que ainda não puderam ser realizados. Quem sabe uma nova carreira, um negócio próprio, uma grande viagem. “Hoje em dia as pessoas estão vivendo muito, e querem manter os padrões de consumo da ativa”, lembra Gustavo Cerbasi. Quem não se preparou para isso, vai onerar os próprios filhos, que deixarão de poupar para a própria aposentadoria a fim de manter o padrão de vida dos pais, iniciando um círculo vicioso.
Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Investimentos Inteligentes (Thomas Nelson Brasil) Mais Tempo, Mais Dinheiro (Thomas Nelson Brasil).
Via - exame.abril.com.br

Férias piratas - Gustavo Cerbasi


Rezam as cartilhas de finanças pessoais que quem cuida bem do dinheiro e faz planos coerentemente durante o ano consegue iniciar um ano novo com contas em dia, dívidas sob controle, um pé de meia e ainda uma verba para desfrutar um pouco das férias escolares dos filhos.
Digamos que você, ao menos, esforçou-se para ter recursos para gastar com o lazer das férias. Se conseguiu isso, é cedo para os parabéns, pois é grande a chance de lidar mal com seu dinheiro, independentemente de quantos objetivos você alcançou em sua lista de metas financeiras do ano ou de que tipo de sacrifício fez para contar com esses recursos.
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Não duvido de sua capacidade de discernir o que é certo ou errado. O problema é que, nas férias, multiplicam-se as oportunidades de desrespeito às regras de cidadania, a ponto de se tornar difícil evitar todos os erros.
Ao buscar alternativas à ebulição caseira da energia infantil, muitas famílias procuram sair de casa. É aí que iniciam as dificuldades, a começar por filas para todo lado.
Quem sai para viajar consome muitas horas e litros de combustível em engarrafamentos nas estradas. O consumo adicional obriga famílias a abastecer seus veículos mais vezes em postos de procedência desconhecida, raramente com algum compromisso com os clientes.
Paga-se gato por lebre para empresas que sonegam impostos e de quebra prejudicamos o desempenho mecânico e encurtamos o prazo de validade entre as manutenções do veículo.
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O vilão da história é a falta de fiscalização efetiva? Ou seria o consumidor, que, sem planejamento e passivo diante da sonegação, contribui para um Estado que arrecada menos e não consegue fiscalizar? E quem vai à praia com a família, para passar aquele dia de sol, sombra e dezenas de petiscos? Em todo o Brasil, cada água, cada cerveja, cada comidinha -não importa se camarão, siri, queijo, polvilho ou empanada- comprada de ambulantes é, em essência, um ato de contravenção. Sabe-se que o vendedor informal não recolhe impostos e quem aceita essa prática contribui para a fragilização da economia.
Alguns dirão que o ambulante compra seus produtos no mercado ou em fornecedores que pagam devidamente seus impostos, mas o problema é a falta de responsabilidade fiscal sobre a taxa de conveniência que o ambulante cobra a mais de você. Ele sonega. Se todos pagassem direito, o Estado arrecadaria mais e todos poderiam pagar proporcionalmente menos.
Mais pirataria. Logo no começo das férias, procurei levar meus filhos ao cinema, mas a escassa produção cinematográfica para crianças nos oferece apenas um ou dois filmes infantis por temporada -nem todos de boa qualidade.
Fui atrás do clássico DVD da “Cinderela”, que minha filha adora. Esgotado. Liguei para o distribuidor oficial e recebi uma resposta estarrecedora: “Esgotado. Não temos previsão de volta ao mercado. Para encontrar, só em distribuidor alternativo”. Ou seja, camelôs?!
Recuso-me! Nada de “Cinderela” nestas férias. Fomos atrás de atrações menos cinematográficas, mas foi frustrante. Faltam opções, fila para todo lado!
No moderno aquário de Santos, sob o escaldante sol de 35ºC (dúvida: o cliente só deve ser bem atendido após a bilheteria?), ou no aquário de São Paulo, nos parques temáticos, nos shows, nos teatros: em todas essas atrações encontrei camelôs vendendo bebidas nas filas e cambistas oferecendo ingressos por dezenas de reais a mais a quem quisesse evitar as filas.
Leia também: EMPRESAS ENSINAM FUNCIONÁRIOS A CUIDAR DO DINHEIRO
Serviço pirata! Recuso-me a pagar mais para quem lucra sem pagar impostos, ou seja, não segue as mesmas regras que eu. Minha receita para enfrentar filas e não entrar no jogo da informalidade? Leve um livro para ler para seus filhos.
Porém, vejo que muitos, no alto da arrogância de estarem com alguns recursos sobrando, facilmente aceitam participar do jogo da contravenção. A polícia observa, sabe disso, mas é insuficiente para controlar. Alguns cobram mais efetividade. O Estado não responde. Repito: será ele o vilão? Ou o Estado insuficiente é apenas fruto de cidadãos sem cidadania?
Gustavo Cerbasi,  site http://www.maisdinheiro.com.br

GUSTAVO CERBASI - QUANTO VALE SEU DINHEIRO?

Corte dos seus planos de compra o prazer que dura pouco e tira a oportunidade de consumo mais produtivo

HÁ DOIS MESES, estive em Lisboa para o lançamento de mais um livro meu em Portugal.
Na época, não haviam eclodido ainda os mais graves sinais da crise econômica, como o rebaixamento da nota de risco do país e o pedido de socorro à União Europeia.

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Porém, o país já dava claros sinais da dificuldade de recuperação, incluindo desemprego e inflação em alta e esperança em baixa. Enquanto no Brasil nos referíamos à crise "de" 2008, em Portugal o termo usado era a crise "desde" 2008.

Em meio ao desânimo generalizado, demonstrei minha preocupação a meus editores, questionando se seria interessante, para eles, lançar novos títulos em um momento tão ruim do mercado.
Supunha que os trabalhadores portugueses tinham menos dinheiro no bolso para consumir qualquer coisa, incluindo livros.

Para minha surpresa, a resposta foi enfaticamente contrária às minhas suposições. Segundo meus editores, a crise que impunha mudanças até nos hábitos alimentares dos portugueses pouco influenciava o mercado de livros.

Acreditando que havia tropeçado em alguma diferença linguística entre os países, reformulei a pergunta com outras palavras, e recebi a confirmação estarrecedora: os portugueses realmente não abrem mão do consumo de livros.

Precisei de alguns minutos para digerir a informação, e a explicação foi admirável. Segundo meus editores, a compra de livros não tem exatamente a ver com a preocupação com educação ou com a flexibilidade de novos formatos de leitura.

Para os portugueses, assim como para a maioria dos europeus, leitura é lazer. Cinema, teatro, viagens, comer fora, práticas esportivas e jogos também são lazer, mas a procura por essas práticas havia caído drasticamente com a crise portuguesa.

O argumento para a sustentação na venda de livros era o de que o lazer obtido com um livro era barato, durava vários dias, podia ser repassado para toda a família e, ainda, doado a famílias com poder de consumo mais oprimido.

Em suma, o que sustentava o comércio livreiro em um país em crise era a durabilidade do prazer ou do benefício obtidos com esse tipo de produto. Nada traduz melhor o conceito de qualidade de consumo do que a ideia de obter do dinheiro um benefício mais duradouro.

Quando compramos um carro, levamos em consideração o benefício de contar com transporte por um longo período. Mas, ao comprar um carro com design diferenciado, maior potência e apetrechos tecnológicos, corremos o risco de desembolsar muito mais por benefícios apenas eventuais.
Só desfrutamos do design em situações sociais em que a imagem do carro seja associada à nossa.
O benefício da maior potência será tão frequente quanto forem nossas viagens. Os apetrechos tendem a cair em desuso, se não forem realmente funcionais. Comprar um carro popular e bem equipado tende a ser, na maioria dos casos, um consumo de mais qualidade do que comprar um carrão.

Quanto mais benefícios obtemos do nosso dinheiro, menos impulsos de consumo temos. O consumismo está diretamente relacionado à incapacidade de obter prazer duradouro nas compras, como uma droga que gera dependência. Por isso, a velha ideia de refletir antes de uma compra continua sendo uma das mais importantes ferramentas não só de consumo mas também de sobrevivência de nosso minguado saldo no banco.

Você quer mesmo aquilo que pensa em comprar? Ou é apenas um estímulo vindo de um vendedor habilidoso? Se quer, você precisa do que vai comprar? Se não lhe trouxer utilidade duradoura, esqueça. Há uso mais inteligente para seu dinheiro.

Se você quer e precisa, pergunte-se: você pode comprar?

Essa resposta só será obtida se você fizer a lição de casa antes de ir às compras. Não saia antes de checar o saldo na conta, a fatura do cartão e o orçamento doméstico.
Prazer que dura pouco e tira a oportunidade de consumos mais produtivos é justamente o que deve ser cortado de seus planos.

GUSTAVO CERBASI é autor de "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos" (ed. Gente) e "Investimentos Inteligentes" (Thomas Nelson).

Gustavo Cerbasi, 
 site http://www.maisdinheiro.com.br

FINANÇAS: COMO CONQUISTAR SUA LIBERDADE FINANCEIRA - GUSTAVO CERBASI


Enriquecer é uma questão de escolha, e a receita é relativamente simples. Você deve gastar com qualidade seu dinheiro, obtendo desse gasto o máximo de bem estar e prazer que puder. Porém, deve gastar menos do que ganha, pois você trabalhará por um período menor do que viverá, e os recursos poupados serão usados para sustentar sua vida não produtiva. Além de gastar menos, deve investir com eficiência os recursos poupados, para não ter que poupar mais do que o necessário e se arrepender de uma vida com poucas realizações. Enfim, gastar com qualidade menos do que você ganha e investir com inteligência a diferença é a receita para uma vida mais rica.
Simples, não? Mas, colocar em prática essa receita exige de você uma boa dose de disciplina e autoconhecimento. Para gastar com qualidade seu dinheiro, é preciso refletir sobre o que realmente lhe traz prazer e bem estar. A compra de um carro novo, por exemplo, nos traz prazer, mas por quanto tempo? Será que é um prazer maior do que garantir uma verba para o cafezinho diário ou a manicure semanal?
Gastar com qualidade não significa cortar tudo o que possa ser entendido como supérfluo, mas sim consumir aquilo que contribui para nossa motivação e estabilidade emocional. Partindo dessa reflexão, você perceberá que talvez seja melhor comprar um carro mais simples e uma casa menor, visando garantir verbas para um consumo mais variado e que permita sair da rotina com maior frequência.
Procure aumentar seus gastos com lazer. O lazer não impõe pagamentos regulares fixos, como a prestação da casa. Caso aconteça um imprevisto, você pode deixar de jantar fora para arcar com o gasto inesperado. Se estiver pagando uma prestação maior na casa própria, a ponto de inviabilizar o lazer, não terá de onde tirar verbas em caso de imprevistos, o que fará com que você recorra com mais frequência à contração de dívidas ou a suas reservas financeiras. Quanto mais gastos variáveis e menos fixos você tiver no orçamento, maior margem de manobra terá, menos dívidas assumirá e terá uma vida mais tranquila e saudável.
Fazendo sobrar dinheiro para seus planos futuros, é fundamental que você se assegure de multiplicar seu dinheiro com inteligência. Perceba: falo de multiplicar, e não de poupar. Seu dinheiro não deve ser apenas reservado, mas sim cuidado com carinho para que cresça acima da média oferecida por produtos financeiros convencionais.
O investimento em bons produtos de renda fixa não deve ser sua única escolha, pois é sabido que os mercados de renda variável trazem boas oportunidades. Porém, bolsa e imóveis são mercados em que muitos perdem pouco e poucos ganham muito. Em outras palavras, são mercados para especialistas. O ideal é que você conte com a orientação ou a gestão de profissionais que se relacionam 24 horas por dia com os mercados financeiros e fazem escolhas tanto para garantir bons ganhos, quanto para proteger seu patrimônio.
Ao longo dos anos, você perceberá que o patrimônio acumulado permitirá auferir uma renda crescente, que lhe trará uma também crescente sensação de segurança. Essa segurança será total no dia em que os rendimentos forem suficientes para custear seu consumo pessoal, ou então quando o patrimônio total for suficiente para criar um negócio ou uma carreira que garanta essa renda. Nesse momento, você terá adquirido sua indepndência financeira.
Para chegar lá, o ideal é que você foque em seus objetivos, e tenha disciplina e regularidade na construção deles. Se imprevistos acontecerem, conte eventualmente até com o crédito. É para preservar sonhos que ele está a sua disposição. Tomar emprestado custa, mas é o preço a pagar para garantir seus sonhos. Com boas escolhas, equilíbrio e foco nos seus sonhos, é bastante provável que sua vida seja rica. Com planejamento, ela será rica e também com bastante dinheiro.
Gustavo Cerbasi 
 site http://www.maisdinheiro.com.br

10 dicas para sair do vermelho:

1) Jamais use o cheque especial ou o pagamento parcial do cartão de crédito. Peça empréstimos no banco, que saem mais baratos;
2) Passe a controlar os saldos de seu cartão de crédito com mais frequência, pelo menos a cada 10 dias, para que deixe de gastar além do esperado;

3) Tenha uma idéia do tamanho de seu problema: a primeira coisa a fazer é anotar TODOS os gastos do mês, inclusive os gastos pequenos, para descobrir de onde cortar;

4) Elabore um plano radical de enxugamento de gastos na maior intensidade possível, para que a dívida seja amortizada de uma vez. Não adianta ir pagando aos pouquinhos, pois os juros voltam a aumentar rapidamente a conta que você já pagou;

5) Quanto mais intenso for o corte de gastos e menor o Tempo necessário para isso, menores serão os desgastes no relacionamento familiar;

6) Acabe de vez com a tentação das compras a prazo;

7) Use todos os tipos de poupança que você tem. Não adianta estar com investimentos e perder mais com os juros da dívida. O mesmo vale para bens como Terrenos e imóveis à espera de valorização;

8) Fuja de atividades de lazer que custam. Aprenda a valorizar as coisas preciosas da vida que não custam nada, como um passeio ao ar livre ou uma reunião com amigos ou com a família;

9) Enquanto não conseguir quitar toda a dívida, substitua-a por outras mais baratas, como antecipação de restituição de  imposto de renda ou venda do automóvel e compra de outro parcelado. Use todo o dinheiro da venda para reduzir a dívida.

10) Divida seu plano de ajuste com a família. É importante que todos estejam engajados, para que haja maior co-motivação.
Gustavo Cerbasi, www.maisdinheiro.com.br

 

 
 
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